outro patamar.

setembro 12, 2012

não sei se vivo um mundo decadente
mas sei que apenas dele vou cantar
pois só este eu conheço e sei presente
no século, no agora, fiz meu lar

da derrocada cai uma semente
será que em solo fértil vai brotar?
não penso em bem ou mal, penso na gente
capaz, pela vontade, de criar

do todo, pouco importa seu destino
pois seja lá qual for, irei, aceito
ainda que me perca ao desatino

então, o que me resta é dar um jeito
escuto o badalar das seis, o sino
desperta para o que deve ser feito.

Anúncios

luz, luz, mais luz.

setembro 3, 2012

eu gosto de acender o seu cigarro
enquanto você guia pelas ruas
inóspitas, tão sujas e tão duras
tornamo-nos apenas o seu carro

e nessa segurança em que me agarro
observo as suas coxas, vejo-as nuas
rezando, para o amor, u’a prece ou duas
um ídolo com pés de ferro e barro

percebo a finitude em minha pele
eu sinto meu estômago apertando
pressinto e sei que tudo à vida é breve

viver é submeter-me a tal desmando
portanto, seu momento se congele
nos versos que eu agora estou grafando.

agosto 22, 2012

entenda que não sou igual a ti
na minha sina eu vou, nela eu nasci
não tive muita escolha ao ser quem sou
eu tenho de seguir por onde vou

cantar, voar… um corvo, um bem-te-vi
se deixam de fazer, matam a si
então devo aceitar, tal e qual, ou
apenas morrerei sem canto ou vôo

ainda assim, meus agradecimentos
fizeste-me pensar, talvez mudar
uns fatos, atitudes ou eventos

escolho, não a rota: o navegar
mas timoneiro algum mudou aos ventos
ninguém já ordenou ao céu, ao mar.

agosto 22, 2012

o rosto de boneca feita em louça
manchou-se no tocar da realidade
passou a percecer a própria idade
que nos detalhes ínfimos repousa

carrega mais remédios na sua bolsa
ainda sai nas noites da cidade
e crê que encontrará felicidade
espera, antes de inerte e sob a lousa

exigem dela tudo e tudo cobram
mas só lhe autorizam ao consumo
consome, quais prazeres mais lhe restam?

provável preço por querer aprumo
agora sente o peso que lhe entregam
sentindo algo de errado no seu rumo.

julho 19, 2012

post novo em http://danielkamykovas.wordpress.com/

vídeo comigo cantando.

tosco de tudo.

julho 17, 2012

Mais Pesquisados:

sonetos do braga, sites de podolaria, neia de campo grande fudendo

julho 12, 2012

caramba, fazem dias… não versejo
seria preocupante para mim
que faço da poesia meio e fim
ou pelo menos é o que desejo

alguma coisa, certa, deu ensejo
mas nada sucedeu de mau, ruim
embora algo me ocorra, eu sinto, sim
er… lembro até poemas sobre o Tejo!

(vocês sabem, deviam de saber
alguns – né? – pelo menos) mas, por norma
viver é o outro modo de escrever

algum poema antigo fez-se forma
humana, pois agora é outro ser
preciso me esbaldar em quem se torna.

lilith

junho 29, 2012

a minha filha, se a tiver, será
chamada pelo nome inaceitável
de lilith. sua mãe concordará?
sabendo das possíveis mães, provável

é certo que você condenará
meu gesto mais sincero, inominável
pra todas pombagiras, saravá!
eu quero por no mundo uma indomável

que escolha ser aquilo que quiser
rebata tudo aquilo que ela ouvir
que tenha toda a força que puder

comande, por si mesma, o seu porvir
orgulhe-se de ser quem é: mulher
pra toda história podre redimir.

vídeo novo para o danielkamykovas.wordpress.com

junho 19, 2012

aí:
‘doispontos’

http://youtu.be/beo4AYzhEHU 

junho 15, 2012

pegou o seu revólver trinta e oito
canela seca, já bem desgastado
nos tempos de menor, até os dezoito
foi seu melhor amigo, esse safado

fazia as suas fitas meio afoito
mas nunca deu em merda e é atestado
na sua capivara virgem – solto
jamais penou na mão do nosso estado

mas hoje a sua vida lhe compensa?
no trampo diariamente, a se foder
pra por os mantimentos na dispensa

guardou-o na gaveta, pra esquecer
não quer mais encontrar com desavença
alguma outra saída tem que ter.