Archive for setembro \29\UTC 2012

alexandrinos…

setembro 29, 2012

o tempo inexorável vai contrário a mim
a minha mãe, a terra, pai, o firmamento
me guiam tal e qual fumaça negra ao vento
que vê no turbilhão o próprio e certo fim

apenas eu aceito e me conformo assim
embora tal processo possa ser mais lento
ou faça meu porvir ser muito mais violento
talvez veja o meu sangue se esvair carmim

mas no interregno dentre a conclusão e o agora
escreverei a tudo o que puder, quiser
destino algum, cruel, de fel, já me apavora

fortuna, foi um sábio quem te fez mulher
despreza cruelmente  àquele que te implora
entrega-te somente a quem bem te aprouver.

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outro patamar.

setembro 12, 2012

não sei se vivo um mundo decadente
mas sei que apenas dele vou cantar
pois só este eu conheço e sei presente
no século, no agora, fiz meu lar

da derrocada cai uma semente
será que em solo fértil vai brotar?
não penso em bem ou mal, penso na gente
capaz, pela vontade, de criar

do todo, pouco importa seu destino
pois seja lá qual for, irei, aceito
ainda que me perca ao desatino

então, o que me resta é dar um jeito
escuto o badalar das seis, o sino
desperta para o que deve ser feito.

luz, luz, mais luz.

setembro 3, 2012

eu gosto de acender o seu cigarro
enquanto você guia pelas ruas
inóspitas, tão sujas e tão duras
tornamo-nos apenas o seu carro

e nessa segurança em que me agarro
observo as suas coxas, vejo-as nuas
rezando, para o amor, u’a prece ou duas
um ídolo com pés de ferro e barro

percebo a finitude em minha pele
eu sinto meu estômago apertando
pressinto e sei que tudo à vida é breve

viver é submeter-me a tal desmando
portanto, seu momento se congele
nos versos que eu agora estou grafando.