Archive for abril \25\UTC 2012

podolatria reversa

abril 25, 2012

me lembro de lamber o seu pé sujo
enquanto nós bebíamos cerveja
‘se alguém quiser nos ver, pois que nos veja’
assim eu me humilhava, um cão, sabujo

sentia-me o pior, um verme cujo
orgulho se perdeu sem ter peleja
amante que seu próprio mal deseja
por mais que seja podre eu nunca fujo

vivi o tal amor por uns três anos
memórias, todas elas trago cá
relembro para sempre os meus enganos

e digo ‘fique bem, mas vá pra lá’
garanto… continua nos seus planos
duvido que deixou de ser tão má.

a puta que te pariu, fiho da puta

abril 23, 2012

eu gosto da maneira que você
expressa seu desprezo por mim, é
um bálsamo na forma de má-fé
me excita, me provoca, se assim vê

jamais que me importei com sua mercê
prefiro seu olhar com asco, até
enquanto me deleito do alto ao pé
seu nojo é meu prazer, pois vá, me dê

comente alguma coisa entre seus lábios
caminhe me observando à lateral
ensine com seus olhos mais que os sábios

me sinto muito bem como anormal
daqueles que não vão nos alfarrábios
talvez porque não façam grande mal.

وفاة

abril 21, 2012

aí você se sente no caminho
errado e não mais sabe o que fazer
não tem nenhuma paz, nem no seu vinho
e nem no subterfúgio de se crer

o mundo se mostrou, fato, moinho
agora, sua escolha: ou perecer
provando ser um fraco e pequeninho
ou ir além de tudo e perceber

que quase tudo errado é seu encargo
que muito mais depende da atitude
que pode transformar-se, sem embargo

ao longe ouvindo o som de um alaúde
podendo recusar viver amargo
verá exatamente ao que se alude.

abril 12, 2012

e todas as idéias fervilhavam
estava, realmente, o mais confuso
mas ao ir escrever ficava obtuso
as vozes para as letras se calavam

deitava e os pensamentos me pulsavam
sofria por não dar à mente o uso
assim, por mim, sofria interno abuso
dormir e delirar já se mesclavam

vivi por muito tempo em agonia
senti correr loucura em minhas veias
até que a solução me veio um dia

parei de me prender em minhas teias
assim que percebi o que não via:
escrevem-se palavras, não idéias.

uma barcarola meio ponto de umbanda:

abril 6, 2012

meu amor foi viajar
e não quis que eu fosse junto
pois não sou feita pro mar
pois não sou feita pro mundo

eu espero o meu amor
toda a noite pelas pedras
o meu fel, meu dissabor
é saber que existem perdas

só me resta então ter fé
eu vou crer em seu retorno
aguardando então, até
ele aqui ao meu entorno

na certeza de se ter
meu amado ao coração
um amor que sei conter
muito mais que uma ilusão

meu amor foi viajar
e não quis que eu fosse junto
pois não sou feita pro mar
pois não sou feita pro mundo…