Archive for agosto \31\UTC 2011

dose de fel em 14 versos.

agosto 31, 2011

cada silêncio seu me faz atônito
fico aturdido, não entendo nada
me perguntando qual motivo incógnito
a faz lacônica assim, tão calada

todo meu chão se derretendo insólito
sob os meus pés desaparece a estrada
resta aceitar e ser fiel acólito?
resta ter fé, ter fé no amor, na amada?

meu coração a disparar, parar
vai se conter no meu ingênuo crer
meu desespero vai também calar

unicamente devo compreender
ou aceitar sem contestar, negar
não pertenceu a mim, jamais, seu ser.

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agosto 21, 2011

fim da linha – a balada de Bonnie & Clyde

você, que leu a história de Jesse James
de como foi sua vida e foi sua morte
se ainda precisar de algo pra ler
eu vou contar-lhe tudo a se saber
de Bonnie & Clyde: a vida, a sina, a sorte

agora que eles são “Quadrilha Barrow”
o mundo inteiro já ficou sabendo
notícias correm… sim, roubam, assaltam
e o fim que tem aqueles que os delatam
são encontrados mortos ou morrendo.

nem são tão implacáveis como dizem
existem inverdades nos relatos
apenas tem a natureza dura
odeiam toda a lei, com força crua
os alcaguetes, gansos… todos ratos.

se diz do sangue frio dos assassinos
se diz que são cruéis, maus, delinquentes
mas digo, o que se diz é tudo errado
ao jovem Clyde eu fui apresentado
um cara dos honestos, dos decentes

a lei brincou demais co’a vida dele
na cela de prisão foi feito interno
mantido um rejeitado à sociedade
“jamais conhecerei a liberdade
então, alguns eu levo para o inferno”

estrada em que se tem bem pouca luz
sem placas pra se ter a direção
estão mais firmemente decididos
correndo cegos, mas não vão perdidos
irão morrer, mas não desistirão

estrada que escurece mais e mais
algumas vezes só se pode ver
um tipo de duelo mano a mano
e dar o seu melhor é todo o plano
sabendo já que livres não vão ser

desilusão no amor derruba alguns
uns outros pela estafa vão ao chão
mas posso garantir para você
que tudo é pouco quando a gente vê
de como, pro casal, as coisas são

se tem polícia morto ali por Dallas
e do culpado não se sabe nada
ninguém tem nem por onde começar
precisam ter alguém a quem culpar
colocam Bonnie & Clyde na parada

nos Estados Unidos, só dois crimes
não foram ao casal relacionados
se tem certeza, não tiveram nada
em um sequestro feito na calada
e os armazéns do Kansas arrombados

garoto jornaleiro diz pro amigo:
“queria que eles quase que rodassem
e dessem fuga. grana ninguém tem
notícia dessas dá pra vender bem…
se cinco ou seis polícias se fodessem.”

ninguém da lei está sabendo ainda
foi Clyde quem falou do seu esquema
“nem pense em começar com qualquer treta
agora que teremos grana preta
iremos fazer parte do sistema.”

passar do viaduto lá de Dallas
que chamam por “O Grande Divisor”
lugar que uma mulher se dá ao respeito
e homens também tem a honra e o peito
ali ninguém vai ser um delator

se forem se fazer de cidadãos
ficarem numa casa acolhedora
garanto que depois de certa noite
teram convite à luta, como acoite
ratatatá da sub-metralhadora

não são pretensiosos e nem loucos
entendem que no fim a lei vai vir
pois foram baleados já e conhecem
aquilo que as pessoas “más” recebem
a morte: por pecados sucumbir

um dia, juntos, vão ser baleados
depois terão o enterro, lado a lado
sentir o fim será seu sofrimento
pra lei, será o fim de tal tormento
e Bonnie & Clyde só serão passado.

agosto 20, 2011

eu gosto de cultura e inteligência
mas sensibilidade é essencial
sentir é coisa nobre e não banal
que vai além da própria consciência

se tem no coração seca inclemência
e crê que tem conduta, pois, ‘normal’
acaba por jazer no próprio mal
criado com esmero e excelência

é como inocular-se a própria peste
com risos quando há nada de risível
sem ver o traje imundo que se veste

a mim, a sua mudança é impossível
espero que de mim nada lhe reste
caminhe o seu caminho irreversível.

agosto 13, 2011

o céu escurecia, estava roxo
luz fraca por detrás de folhas negras
o céu e as folhas; mar batendo frouxo
seu cinza esverdeado a compor regras

as ondas cintilavam nesse empuxo
formavam linhas claras nessas trevas
formaram cinco linhas em seu fluxo
a pauta, que é o melhor dos pentagramas

as linhas e os espaços, por-lhes notas?
pensei em qual das claves estaria
compasso e armadura, abrir quais portas?

enquanto elucubrava, o mar rugia
seu tom que vem das eras que vão mortas
jamais que posso por-lhe melodia.

agosto 8, 2011

dois cães de pelo negro lá deitados
estão sobre esta areia e sob a lua
carícias vem da brisa nos costados
observo aqui sentado em rocha nua

cachorros facilmente são amados
difícil é conservar quem se diz sua
enquanto peso amargo estes meus fados
cruzeiro austral eterno me situa

amor não é um deus, não é conceito
apenas e somente é um sentimento
que traz prazer e dor a todo o peito

saudade & coita ou êxtase & acalento
havendo causa, logo vem o efeito…
caminho embora, a brisa fez-se vento.

agosto 5, 2011

clamei ao demônio
(encruzilhada mais crua)
diamante/zircônio.