– ah, eu curto DEVO pra caralho, sim. lembro quando era criança, meu pai tinha um compacto de time out for fun, eu adorava. é uma das lembranças que eu tenho mais claras da minha infância.
– legal…
– L.! tudo bem?
– porra, bebendo segunda?
– sim, e pegue um copo pra vc.
– você também fugiu do D.V.D. ontem, né?

será que ela ainda odeia a T.?

– sim… não tinha como não fugir. você ficou mais e viu o que deu?
– claro. na hora que eu tava saindo o D.V.D subiu no palco falando que ia representar a banda dele, os desagradáveis. os juízes iam se levantando e ele fico lá: ‘péra, péra, péra! vocês tem que ouvir TODAS as bandas. isso é CONTRATUALMENTE determinado.’
– caralho!
– pois é. e a última coisa que eu ouvi dele foi: ‘gostaria muito que minha banda tivesse completa, mas o vocalista saiu com uma gorda, o guitarrista com um travesti e o batera com uma lésbica.’ muito prazer, eu sou a lésbica.
– hahehahehahehahe, se um dia eu tatuar um safo no meu braço entenda isso como uma homenagem.
– ??
– esquece. e você sabe o que aconteceu depois?
– saca o C., o calouro que entrou na salinha comemorando que havia dado o cu pela primeira vez?
– hahehahehahehahe, sim! gosto desse moleque.
– então, ele me disse que o D.V.D. começou a fazer uma base nada a ver com o baixo, meio blues, e cantou (ou algo assim) de improviso a história do A. na bocada. só que ele teve a idéia de trocar o B.(II) pelo batman e o A. pelo robin… ‘o robin deu o cu pro traficaaaaaaaaaaaaaante’, com uma voz zoada de bêbado, tipo o ventania dos cogumelos azuis. isso que dá ficar vendo o tempo todo aquela bosta de dublagem que vocês ficam assistindo.
– !!!
– e não só isso. uma hora o D. AUTODENOMINADO poeta, que também tava breaco, resolveu subir no palco pra falar merda e tornar a situação ainda mais ridídula.
– puta, justo esse mano, D. ””””””poeta”””””””…
– aliás, o C. só estava lá porque esse cara anda pegando uma mina mais ou menos amiga dele.
– hum, POETA que nem o D.?
– hahehahehahehahe! na mosca. daquelas que imitam a hilda hist.
– faz sentido. ou imitaria a hilda ou a clarice. é o que se costuma fazer aqui, nas ARCADAS.

encho o copo de cerveja até a boca.

– but as God said,
crossing his legs,
I see where I have made plenty of poets
but not so very much
poetry.

viro o copo de uma vez.

– sabe, B., você não deveria fazer isso.
– beber desse jeito?
– não, isso foda-se. imitar o bukowski. é ridículo, cretino.

que olhos lindos ela tem.

– pra imitar o bukowiski eu precisaria escrever, pelo menos.
– falo sério, pare com isso. e se possível também largue aquele travesti.

vaca maldita de olhos lindos. acho que a amo.

– me deixa com meu trav, digo, com a T.
– fofo… eu deixo.

2010

you always play a role, the lunatic
because on this you find some kind of beauty
to hide yourself pretend’ to be a freak
and being a puppet dirty and sad and silly
I cannot understand’a such a dick
an ass so proud, so over all the duty
but now you’re feeling really, really sick
you gonna pray the lord, our god almighty
control, you lose it, now you have no trick
for feeling famous fear feeling filthy
and now you will find the place you always seek
a place so deep inside, in heart a frailty
a heavy cross to carry: schizofrenia
forever under the sign of lady ophelia.

(para L., com amor)

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