Archive for dezembro \17\UTC 2010

‎*egom

dezembro 17, 2010

assuma pra si mesmo que perdeu
desista de uma vez de todo o jogo
porque desde o pricípio não foi seu
e pouco relevante é choro e rogo

assim como um perfil num camafeu
terá extinto em si todo o seu fogo
será aquela cor que esmaeceu
por fim, esquecerão desse malogro

aceite de uma vez, mais nada intente
evite se humilhar em outra coça
daquelas que o destino dana a gente

e reduzido a nada talvez possa
reconstruir-se menos prepotente
com vida menos sua e um pouco nossa

dezembro 17, 2010

a chuva vai caindo sobre o asfalto
o negro salpicado de brilhantes
apenas passa um tímido, ao longe, auto
as gotas se espatifam inconstantes

na luz cinzenta e fria vi de assalto
a mancha d’óleo como nunca eu antes
a vira, ali no chão com brilho e fausto
arco-íris feito em flores delirantes

olhando aquelas cores escorrentes
notei que muitas vezes encontramos
aquilo que sentimos em correntes

que prendem a noções que deturpamos
nos úmidos porões de nossas mentes
beleza brota em improváveis ramos.

dezembro 17, 2010

galpões e mais galpões com exaustores
eólicos girando sobre as telhas
de zinco: aqui não temos muitas cores
mas vazam do esmeril belas centelhas

os paralelepípedos sem flores
elétrico zumbir, falsas abelhas
esquivos e comuns trabalhadores
um, de uniforme azul, cobre as orelhas

barulho doloroso e alguns gritos
nem sei de onde vem, nem seu porquê
não foi nada demais, não vejo aflitos

aqui vive bem mais quem ouve e vê…
relembro do marxismo e dos seus mitos
será que alguém aqui crê em tal mercê?

felis catus

dezembro 7, 2010

observa a um passarinho da janela
atento, teso, imóvel… a esperar
o exato instante e agora se revela
aí o contemplamos a atacar

sua caça tem a morte mais singela
perece nos seus dentes sem lutar
foi rápido demais e o é quem zela
por todas elas, artes de matar

o gato é sobretudo um assassino
e o mais galante, nobre, dessa raça
que aceita, sem pesar, o seu destino

não fui eu contemplado nessa graça
por isso é o meu sofrer desde menino
a culpa por fazer ‘que quer que eu faça.

dezembro 4, 2010

o que segue é completamente ficcional. qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas, moribundas e/ou lobotomizadas é coincidência.

I

2005.

mesa, porão da faculdade de direito da USP, bar. uma garrafa e meia de brahma, marlboros.

– vamos montar uma banda pânqui pro FEMA?
– claro que não! que idéia idiota.

brahma, marlboro, steinhagger, marlboro, brahma, marlboro, beque, marlboro, brahma, marlboro, ypioca, beque, tiro, marlboro, brahma.
mesma mesa.

– qualq vai ser o referzório??
– sabia que uma hora você me daria razão. você toca guitarra, né?
– mal pra garalho…
– mas você já tocou em banda?
– porra, glaro. mas na zúltima eu zocava vaixo. e na real, deve vazer uns 3 anos que eu não encosto num’strumento.
– e tocava louco desse jeito??
– zim…
– legal! era exatamente nisso que eu tava pensando! fazer som de bebum mesmo, tudo zoado, pra curtir.

longo silêncio.

– aí eu ia fazer os vocais e eu tava pensando blá blá blá blá blá blá…

gordo egocêntrico de merda. essa porra pode acabar sendo divertida. cacete, tô bêbado de novo. acabaram os supplies e nem fodendo que eu subo na são paulo. e que monte de groselha. caralho. caralho. how does it feel…)

– topo se rolar um new order.
– ??? é uma banda pânqui! não vai ter teclado nem nada assim.
– versão pânki de new order.
– tá bom… o P. toca bateria, né?
– sim…
– quem toca baixo?
– D.V.D.
– ?? meeeu, o D.V.D é 13.
– e quem não é?
– CLINICAMENTE 13.
– e?
– tá bom… mas… EU VOU SER O VOCAL!

gordo egocêntrico de merda.

– e o repertório?

ótimo, estou articulando novamente os sons. posso beber mais.

– pânqui róqui!! e versões pânquis do que a gente quiser, umas coisas mais pop.
– certo.
– vou inscrever a gente. colocamos os nomes dos caras e vamos lá. E EU já tenho o nome da banda!

gordo egocêntrico de merda.

– que é?
– DESAGRADÁVEIS.

II

– vê uma 51 com limão, uma brahma e um torresmo.

louie, louie… oh, baby… we gotta go now… yayayayayaya…
the communist world is falling apart, the capitalists are just breaking hearts…

bom, porão.

– você se lembra do que a gente conversou ontem?
– tenho vários problemas com o álcool, mas não tenho amnésia alcoólica.
– ótimo, então. já falei com o P. e ele topa.
– legal, vou falar com o D.V.D.
– se ele estiver comunicável…
– vai estar. ele anda mais de boa.
– sei. então, estava pensado no repertório…
– vamo’ tocar blue monday e louie louie.
– porra, já tá exigindo coisas! eu pensei em ‘eu bebo sim’…
– ??? da elizeth cardoso?
– não, a versão dos velhas virgens!!
caralho. de gordo egocêntrico de merda passou pra gordo pimpão de merda. porra, velhas é o cúmulo do gordo serelepe que bebe cerveja e fica suando por aí.
– velhas?? vou pegar uma brahma.

caralho.

– olha quem chegou aqui! o D.V.D.! e olha, ele tá sóbrio!
– salve, D.V.D., o D. já te falou da banda?
– er, já… bem por altos. ele falou que eu vou ter que tocar baixo, é isso mesmo?
– é.
– e o que a gente vai tocar?

deixemos o band leader falar…

– eu pensei em ‘eu bebo sim’…
– porra, mas samba é difícil pra caralho!

se fodeu, gordo.

– deixa, vai. façam VOCÊS o repertório.
– vamo’ tocar blue monday e louie louie. e troggs, wild thing. e you really got me, kinks. um ramones…
– boa! só coisa que qualquer retardado, mesmo a gente, toca.
– sim!

se fodeu em dobro, gordo. e acabaram as porras dos meus cigarros.

– vou no flor da sé comprar um maço. alguém quer alguma coisa?
– que você se foda?

gordo egocêntrico, pimpão e rancoroso de merda.

– vê uma 51 com limão, um marlboro e um torresmo.

será que o D.V.D. topa ir no madame satã hoje?

– cadê o gordo escroto?
– saiu com a… bem, muda o gênero dos adjetivos que…
– entendi. ô criatura que eu gosto!
– o macho ou a fêmea?
– a ironia é pra fêmea. do D. eu gosto, mesmo namorando militante pseudo-esquerdista do grupo ruptura.
– sabe, velho… vamos tocar MESMO pânqui róqui?
– ué, D.V.D., é fácil, é divertido, tá ao nosso alcance e a maior parte do povo aqui não entende patavina de música. nem a gente…
– não, peralá! B., a gente é capaz de fazer coisa melhor! a gente poderia tocar blues, ou alguma coisa mais simples de mpb, sei lá. fazer som próprio, letra…
– sim, sim, D.V.D…. mas pra isso a gente precisaria ensaiar, fazer as coisas minimamente certas… e você sabe que isso não vai rolar.
– e você não gosta de mpb…
– eu não gosto de fã de mpb. é bem diferente.
– você fez uma música dizendo que a mpb não te diz nada…
– porra, eu tinha 17 anos!
– você me mostrou no seu computador ano passado…
– retrasado.

nossa!

– B. (II)?!!!
– B. !!!
– tudo bom, meu caro? e D.V.D…. tá menos louco hoje?
– na medida do possível, B. (II).
– ótimo. porra, faz tempo que não vejo vocês. da última vez que eu vim aqui vocês não tavam… aliás, aconteceu um negócio bizarro da última vez. vocês são amigos do A.?
– mais ou menos, sei lá… o que foi?
– ah, vá, B., você até já beijou o cara.
– cala a boca, D.V.D.
– preciso contar pra vocês, então. sexta passada tava todo mundo aqui no porão daquele jeito, e resolvemos fazer uma vaquinha pra comprar um bright. levantamos uns 300 paus e eu fiquei de buscar. mas o A. chegou com aquele jeito de bicha escrota dele falando que conhecia esquema melhor, mais perto, enchendo o saco. bom, o ‘esquema melhor’ dele era a porra da rua são paulo onde eu já ia, mesmo. bom, fomos lá. ele pegou o dinheiro e desceu do carro, e eu fiquei na esquina de cima, esperando, como de costume. conforme falam, bocada não é cinema pra se ir de casalzinho. esperei… meia hora, uma hora… uma hora e meia… quando ia dar duas horas chegam pra mim e falam que vão matar ‘meu amigo’. porra, desço até a boca e tá lá a bicha tomando uns sopapos, no meio de umas coisas quebradas. os caras falando que vão matar… foram logo perguntando se eu também era viado…. eu disse que não. daí falaram pra eu sumir com ele imediatamente, e me deram um tapa na cara. nem perguntei nada, peguei o cara e saímos…

– A., cadê o pó?
– não peguei.
– e o dinheiro?
– me tomaram…
– acho melhor você se explicar. AGORA.
– eu conheço o trafica. ele foi meu namorado, nem faz tempo, e por isso eu disse que o esquema era bom. mas aí a gente começou a conversar… pintou um clima… e eu dei pra ele.
– ???
– é, ué? algum problema? a gente transou… aí eu dei o dinheiro pra ele e disse pra ele ser legal comigo, afinal, eu fiz ele feliz… ele disse que já tinha gozado e não tava a fim de mais nada, que eu me fodesse. não ia dar nem pó nem dinheiro. aí eu surtei… que foda, eles poderiam ter me matado. obrigado por me tirar de lá.
– MEU, VOCÊ FOI NA BOCA PRA COMPRAR PÓ, DEU O CU PRO TRAFICANTE, PERDEU NOSSA GRANA, ME DEIXOU ESPERANDO, ME FEZ CORRER UM RISCO DO CARALHO, CONTA ISSO COM ESSA TRANQUILIDADE E AINDA AGRADECE???

!!!
!!!

– não me aguentei e dei umas porradas nele. e o deixei no porão, onde tomou de todo mundo. imbecil filho da puta.

III

– zamu enzaiá?
– você tá bêbado.

– vamos ensaiar?
– zeu tô vreaco, num vai rolar…

porra, ninguém vai ensaiar é porra nenhuma.

– caralho, D., a apresentação vai ser terça. a gente não ensaiou uma vez.
– relaxa. sábado você aparece aqui no porão, SÓBRIO, e com o D.V.D., também SÓBRIO, que a gente ensaia. é melhor, vai ter bateria montada, tem uma guitarra e um ampli aqui na salinha…
– beleza, que horas no sábado?
– umas duas, três. vou estar aqui desde meio-dia trabalhando numas coisas.

sábado no boteco é sempre um dia especial.

– vê uma feijoada completa.
– caipirinha acompanha?
– sim, e uma brahma.

bom, porão.

– salve, D.
– salve.
– não tem bateria montada aqui.
– não.
– e a guitarra não tá mais, também…
– é, o dono levou. mas tem o ampli!

eu mato esse gordo…

– ah, vai tomar no cu, caralho. falou com o P.?
– não vem, nem tem porquê sem ter uma bateria. e o D.V.D.?
– falei com ele anteontem. disse que vinha pra cá lá pelas duas.
– liga de novo…
– pra que??
– ah, já que a gente não vai ensaiar a gente toma umas…
– certo.
– D.V.D.?? você não vem pra cá? colar na sua?? pra quê? ah, vá… tá, eu passo aí daqui a pouco com o gordo.
– gordo é teu cu depois do fist fuck.
– cala a boca gordo. tô colando aí, D.V.D.
– vamo’ lá, D.?
– nem, tenho que esperar essas porras instalarem no computador. voltem vocês pra cá.

mas nem fodendo.

– D.V.D.!!! que porra que aconteceu? vou pegar uma lata na geladeira. tem beque?
– tem, mas precisa bolar. vou colocar um som…

caetano veloso fazendo billie jean do michael jackson… latas, pontas, plásticos e bitucas espalhadas, jornal do domingo passado. sofá rasgado.

– então, B… eu vou me casar.
– !!!
– eu conheci minha noiva ontem. eu tava pela augusta, passei no tieta, no my love… em vários puteiros. não achava uma que valesse a pena. tava desistindo até que encontrei essa mina. mora num sítio, tem 34 anos, dois filhos… é wicca. aí a gente combinou de casar, eu fico em casa cuidando das crianças e ela trabalha. sei que é complicado casar com uma garota de programa e tudo, mas eu até já falei com minha mãe…
– espera, imbecil, você falou esse monte de merda pra SUA MÃE??
– porra, você não me respeita mesmo.
– velho, que tal passar uns dias, uma semaninha só, sem beber? fuma um beque… mas fica sem beber, daí se você continuar querendo casar com a mina, eu vou dar minha… ‘benção’…
– combinado! você vai ver como eu não vou mudar de idéia.
– tira essa porra de caetano. ‘alegria, alegria’ já é demais pra minha cabeça.
– e a banda?
– tocamos terça, pedi pra colocarem a gente por último.
– ah, desencana. as músicas são bestas, a gente vai tirar de letra o bagulho. posso pedir uma coisa?
– claro…
– vamos fazer candy do iggy pop?
– quem vai fazer a voz feminina?
– qualquer uma no bar que saiba a letra…
– jesus…
– ah, as mulheres… o que seria da gente sem elas?

e o que seríamos nós sem os clichês?

– você ainda tá com a T.?
– prefiro não falar disso. definitivamente. vamos no madame satã hoje?
– dependendo do seu comportamento na pista vou ter a resposta da minha pergunta.

IV

– escuta, D., tá tudo certo pra hoje, então?
– o que você entende por ‘certo’?
– temos os equipamentos e os outros caras confirmaram?
– sim…
– você sabe as letras?
– não… mas depois eu vejo isso. tem tempo pra cacete até lá.
– ótimo, vou aproveitar esse tempo e encher o cu de pinga no bar.
– só não fique caindo…
– se eu ficar ruim eu tomo um melhoral C.
– ???
– esquece.

ótimo, posso chapar o quanto eu quiser que não vai fazer diferença nenhuma. preciso arrumar um beque. preciso passar na são paulo e pegar um papel também. mas por hora eu quero me embriagar pra enfrentar a MERDA que vai ser essa apresentação. que idéia idiota, por que eu fui topar isso?

– oi, B.
– D.V.D! mas que honra… o que manda?
– segui seu conselho. estou sem beber desde sábado, e percebi a merda que eu tava fazendo. vou ficar sem beber até pelo menos sexta. e não vou casar com puta. até porque eu já fiz isso e num deu certo.
– mas aquela nem era puta, puta era a mãe dela. por isso você ta pagando pensão até hoje. preparado pro SHOW?
– não.
– ??
– simplesmente não, ué. nunca ocorreu pra você que eu bebo do jeito que eu bebo por conta da timidez, pra enfrentar situações sociais que sóbrio pra mim são insuportáveis? não vou beber hoje, e estou passando mal. nunca subi num palco sóbrio.
– entendo. nem fumar você vai?
– peralá, vou fumar sim! TUDO o que aparecer.
– hum.

realmente faz sentido essa parada da timidez. ele parece mais sossegado. e eu também estou mais sossegado. na boa, vou ficar aqui, bebericar cerveja, dar um dois, fumar um marlborinho. nem vou na são paulo.

PORRA! o que essa mulher tá fazendo aqui justo HOJE? a gente não combinou de não se encontrar no porão? caralhos que me fodam, viu…

– vê uma ypioca.

PORRA. vou pegar um papel.

– salve, dona zezé, me vê uma brahma. tudo bem por aqui?
– tudo na mesma, filho. pelo menos num tá moiado hoje, dá pra trabalhar.
– falando nisso, me vê duas efe.
– e o resto do pessoal de lá? todo mundo bem?
– tudo na mesma.

porão.

– a gente entra em uma hora, B.
– grande merda.

o que poderia acontecer pra piorar tudo isso? eu não queria ver a T. hoje, menos ainda aqui, droga. isso tá me desequilibrando completamente. será que ela não se liga que nossa relação não anda boa? se bem que nunca foi boa. nem sei porque eu insisto nisso. ou ela insiste. nós, nós. nós insistimos. fingimento, tudo acaba sendo fingimento. com ela eu finjo ser outro. ainda bem. se eu fosse eu mesmo todo o tempo me mataria rapidamente, e eu preciso continuar vivo algum tempo ainda, só não sei bem porquê.

– B., porra, acorda.
– vou no banheiro.
– me descola um risco?
– você tá sóbrio, D.V.D., não acha estranho mandar assim?
– sim.
– bom…

palco. guitarra emprestada, boa guitarra. as cordas estão medonhas. ampli, overdrive amarelinho. 1, 2, 3 eeeeeeeeeeee…

merda.

MERDA. porra gordo, canta direito… o P. não acerta o tempo. o D.V.D. parece que está tocando sozinho e eu erro alguma coisa a cada 4 compassos. dessas quatro pessoas, aliás, acho que eu sou o único que sabe o que é um compasso. pros demais isso serve pra desenhar a silhueta do D.

meu, só quero que isso acabe logo. não tem mais ninguém na platéia fora a T. e uns bebuns. cara, que vexame. merda. maldita hora.

fim.

– me vê uma ypioca.
– duas!
– D.V.D! você num ia ficar sóbrio?
– IA.

– e uma brahma.
– duas!
– ah, que bom que você tá aqui. você poderia me explicar a razão disso??
– beba sua cerveja e me espere em meia hora no estacionamento.

melhor ficar aqui no estacionamento que naquele palco.

– oooooooooooooooi!

espalhafatosa como uma drag.

– oi…
– gostou do jeito que eu falei pra você esperar aqui? me sentia em um filme!
– que bom. eu estou feliz que você esteja aqui e tudo, mas você quebrou nosso acordo.
– eu sei, desculpa. mas eu precisava.
– não. você ‘queria’.
– não. eu ‘precisava’. adorei sua apresentação!
– ??? o R. rolo tava me olhando com piedade. eu conheço mendigos que olham pro R. rolo com piedade.
– ai, que exagero. tava super divertido.

entendo agora as almofadas dos backstreet boys no quarto dela.

– escuta, B., enquanto a gente tinha terminado, você realmente beijou o A. ou isso é lenda?
– eu te amo.

V

– brow, como as eliminatórias não valeram vocês vão ter que tocar na final. vai ser esse findi, lá no campo.

por que caralho esse idiota me chama de ‘brow’? por que ele fala ‘findi’?

– nem fodendo! eu não subo de novo no palco pra fazer merda.
– relaxa, coloquei vocês por último no domingo, não vai ter ninguém. mas, porra, vocês têm que cumprir a tabela…
– eu não sei se vou aparecer.
– isso EU sei. domingo de tarde você vai estar meio bêbado e entediado e vai aparecer. ou vai no madame, que é o único lugar que você gosta e abre de domingo.

o filho da puta é menos retardado do que parece, afinal. fora que eu tô de boa de madame. vou acabar aparecendo domingo lá. mas, o que eu vou fazer com a T.? depois eu ligo pra ela e converso.

– SABIA que você ia aparecer!
– cala a boca. onde tem cerveja?
– os outros caras da sua banda tão por aí também. eu vi o D. com a mina dele. e o P. tava com a L. por aí…
– é… e o D.V.D.?
– nada até agora…

ótimo. bastou falar no cara e ele tá aqui. e me abraçando. de novo…

– D.V.D., amigo velho! quanto amor em seu nobre coração…
– B., estou feliz!

bêbado

– B., realmente estou feliz!

bêbado pra caralho.

– B., preciso apresentar pra você minha amiga Dri. ela não é linda?
– er, muito! tudo bem, Dri?
– tuuuudo.
– Dri, vc poderia ir até o bar e pegar 3 cervejas?
– claro…
– sabe, B., a Dri é uma ótima pessoa, coitada. enfrenta muito preconceito por causa da profissão.
– ?
– não notou nada?
– puta, nem notei.
– acertou.
– ?
– puta.
– ah.
– e hoje? vamos tocar, né? até repassei as músicas…

pelo menos eu resolvi isso. a T. vai passar aqui antes do horário previsto e vamos cair fora.

– er, não sei, velho… vamos ver e tal…
– num vai dar mancada! vamos fumar um na piscina de bolinhas?
– acho que eu prefiro ficar aqui…

caralho, velho 13. bom, vou ver umas bandas.

a T. atrasa em média uns 40 minutos para o que quer que seja. combinamos 19:00. os desagradáveis tocariam 20:30. porra, dá tempo de boa.

20:00. putaqueopariu. eu deveria usar um celular como as pessoas normais fazem. CADÊ ESSA MINA??!!

20:10. putaqueopariu de novo.

20:20…

– oooooooooooooooooooi!
– vamos embora daqui!
– por que??
– depois eu explico.
– o D.V.D. veio falar comigo…
– por isso mesmo, vamos correr.
– pra onde??
– vamos pra augusta, pro escócia.
– você anda muito estranho…

e você contribuindo pra me deixar maluco.

– pronto, chegamos.
– ainda bem.
– mas que história, hein? vocês não deveriam ter deixado o D.V.D. lá assim.
– ah, já foi…
– notou que a augusta anda estranha, tem muito mais alterna que de costume?
– sim. odeio alterna.
– e tem esses meninos de franja no olho… como chamam?
– emos.
– af. acabaram nossos cigarros e aqui não vende.
– ah, gatinha, eu posso correr até o charm e comprar dois maços pra nós…

e tomar um conhaque lá.

– nossa, que cara que você voltou! aconteceu alguma coisa?
– nada, encontrei uma amiga que eu não via a muito no caminho. tive uma sensação estranha.
– estranha, como?
– como um déjà vu, mas não bem isso. uma espécie de pressentimento…
– ELA VAI MORRER?
– não, porra. algo…
– você deve ter é uma quedinha pela vaca.
– aiai…

VI

– ah, eu curto DEVO pra caralho, sim. lembro quando era criança, meu pai tinha um compacto de time out for fun, eu adorava. é uma das lembranças que eu tenho mais claras da minha infância.
– legal…
– L.! tudo bem?
– porra, bebendo segunda?
– sim, e pegue um copo pra você.
– você também fugiu do D.V.D. ontem, né?

será que ela ainda odeia a T.?

– sim… não tinha como não fugir. você ficou mais e viu o que deu?
– claro. na hora que eu tava saindo o D.V.D subiu no palco falando que ia representar a banda dele, os desagradáveis. os juízes iam se levantando e ele fico lá: ‘péra, péra, péra! vocês tem que ouvir TODAS as bandas. isso é CONTRATUALMENTE determinado.’
– caralho!
– pois é. e a última coisa que eu ouvi dele foi: ‘gostaria muito que minha banda tivesse completa, mas o vocalista saiu com uma gorda, o guitarrista com um travesti e o batera com uma lésbica.’ muito prazer, eu sou a lésbica.
– hahehahehahehahe, se um dia eu tatuar um safo no meu braço entenda isso como uma homenagem.
– ??
– esquece. e você sabe o que aconteceu depois?
– saca o C., o calouro que entrou na salinha comemorando que havia dado o cu pela primeira vez?
– hahehahehahehahe, sim! gosto desse moleque.
– então, ele me disse que o D.V.D. começou a fazer uma base nada a ver com o baixo, meio blues, e cantou (ou algo assim) de improviso a história do A. na bocada. só que ele teve a idéia de trocar o B.(II) pelo batman e o A. pelo robin… ‘o robin deu o cu pro traficaaaaaaaaaaaaaante’, com uma voz zoada de bêbado, tipo o ventania dos cogumelos azuis. isso que dá ficar vendo o tempo todo aquela bosta de dublagem que vocês ficam assistindo.
– !!!
– e não só isso. uma hora o D. AUTODENOMINADO poeta, que também tava breaco, resolveu subir no palco pra falar merda e tornar a situação ainda mais ridídula.
– puta, justo esse mano, D. ””””””poeta”””””””…
– aliás, o C. só estava lá porque esse cara anda pegando uma mina mais ou menos amiga dele.
– hum, POETA que nem o D.?
– hahehahehahehahe! na mosca. daquelas que imitam a hilda hist.
– faz sentido. ou imitaria a hilda ou a clarice. é o que poetisa costuma fazer aqui, nas ARCADAS.

encho o copo de cerveja até a boca.

– but as God said,
crossing his legs,
I see where I have made plenty of poets
but not so very much
poetry.

viro o copo de uma vez.

– sabe, B., você não deveria fazer isso.
– beber desse jeito?
– não, isso foda-se. imitar o bukowski. é ridículo, cretino.

que olhos lindos ela tem.

– pra imitar o bukowiski eu precisaria escrever, pelo menos.
– falo sério, pare com isso. e se possível também largue aquele travesti.

vaca maldita de olhos lindos. acho que a amo.

– me deixa com meu trav, digo, com a T.
– fofo… eu deixo.

VII

2010

you always play a role, the lunatic
because on this you find some kind of beauty
to hide yourself pretend’ to be a freak
and being a puppet dirty and sad and silly
I cannot understand’a such a dick
an ass so proud, so over all the duty
but now you’re feeling really, really sick
you gonna pray the lord, our god almighty
control, you lose it, now you have no trick
for feeling famous fear feeling filthy
and now you will find the place you always seek
a place so deep inside, in heart a frailty
a heavy cross to carry: schizofrenia
forever under the sign of lady ophelia.

(para L.)

dezembro 3, 2010

– ah, eu curto DEVO pra caralho, sim. lembro quando era criança, meu pai tinha um compacto de time out for fun, eu adorava. é uma das lembranças que eu tenho mais claras da minha infância.
– legal…
– L.! tudo bem?
– porra, bebendo segunda?
– sim, e pegue um copo pra vc.
– você também fugiu do D.V.D. ontem, né?

será que ela ainda odeia a T.?

– sim… não tinha como não fugir. você ficou mais e viu o que deu?
– claro. na hora que eu tava saindo o D.V.D subiu no palco falando que ia representar a banda dele, os desagradáveis. os juízes iam se levantando e ele fico lá: ‘péra, péra, péra! vocês tem que ouvir TODAS as bandas. isso é CONTRATUALMENTE determinado.’
– caralho!
– pois é. e a última coisa que eu ouvi dele foi: ‘gostaria muito que minha banda tivesse completa, mas o vocalista saiu com uma gorda, o guitarrista com um travesti e o batera com uma lésbica.’ muito prazer, eu sou a lésbica.
– hahehahehahehahe, se um dia eu tatuar um safo no meu braço entenda isso como uma homenagem.
– ??
– esquece. e você sabe o que aconteceu depois?
– saca o C., o calouro que entrou na salinha comemorando que havia dado o cu pela primeira vez?
– hahehahehahehahe, sim! gosto desse moleque.
– então, ele me disse que o D.V.D. começou a fazer uma base nada a ver com o baixo, meio blues, e cantou (ou algo assim) de improviso a história do A. na bocada. só que ele teve a idéia de trocar o B.(II) pelo batman e o A. pelo robin… ‘o robin deu o cu pro traficaaaaaaaaaaaaaante’, com uma voz zoada de bêbado, tipo o ventania dos cogumelos azuis. isso que dá ficar vendo o tempo todo aquela bosta de dublagem que vocês ficam assistindo.
– !!!
– e não só isso. uma hora o D. AUTODENOMINADO poeta, que também tava breaco, resolveu subir no palco pra falar merda e tornar a situação ainda mais ridídula.
– puta, justo esse mano, D. ””””””poeta”””””””…
– aliás, o C. só estava lá porque esse cara anda pegando uma mina mais ou menos amiga dele.
– hum, POETA que nem o D.?
– hahehahehahehahe! na mosca. daquelas que imitam a hilda hist.
– faz sentido. ou imitaria a hilda ou a clarice. é o que se costuma fazer aqui, nas ARCADAS.

encho o copo de cerveja até a boca.

– but as God said,
crossing his legs,
I see where I have made plenty of poets
but not so very much
poetry.

viro o copo de uma vez.

– sabe, B., você não deveria fazer isso.
– beber desse jeito?
– não, isso foda-se. imitar o bukowski. é ridículo, cretino.

que olhos lindos ela tem.

– pra imitar o bukowiski eu precisaria escrever, pelo menos.
– falo sério, pare com isso. e se possível também largue aquele travesti.

vaca maldita de olhos lindos. acho que a amo.

– me deixa com meu trav, digo, com a T.
– fofo… eu deixo.

2010

you always play a role, the lunatic
because on this you find some kind of beauty
to hide yourself pretend’ to be a freak
and being a puppet dirty and sad and silly
I cannot understand’a such a dick
an ass so proud, so over all the duty
but now you’re feeling really, really sick
you gonna pray the lord, our god almighty
control, you lose it, now you have no trick
for feeling famous fear feeling filthy
and now you will find the place you always seek
a place so deep inside, in heart a frailty
a heavy cross to carry: schizofrenia
forever under the sign of lady ophelia.

(para L., com amor)