Archive for novembro \20\UTC 2010

novembro 20, 2010

um beijo, acaricio seus cabelos
desejo mútuo de tornar-nos plenos
ajoelhamos, duros gestos, belos
caímos no carpete, os dois obscenos

por seios livres vão dedos singelos
seu corpo inteiro rescendendo ameno
sentindo o forte atrito dos meus pêlos
penetro, ouço um gemer de tom terreno

o sexo por si mesmo nos conduz
deixamos, não mais somos nossos donos
suando, sussurando, amantes nus

e quando atingimos o abandono
taquicadia, orgasmo, esperma e luz
por fim dormimos juntos longo sono.

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novembro 11, 2010

lembranças misturadas aos delírios
perdidas divisões de dentro e fora
amálgama, prazeres e martírios
o tempo concentrado em um agora

a fé e o medo, crenças queimam círios
e voz quase inaudível, surda, implora
clamando em desconexos termos gírios
do nada tudo acaba: já deu hora

de volta à realidade, o que ele touxe
consigo dessa terra tão distante?
‘somente meu vivido’, resignou-se

ignora o que julgamos importante
com força de um centauro dando um coice
apenas frui zeloso seu instante.

novembro 11, 2010

o seu olhar foi como o sol, se pôs
escuridão se sucedeu, assim
sem nada novo, uma saudade, um fim
as previsões são de quaisquer tarôs

se os inundados campos dão o arroz
o que dará neste jardim? jasmim?
eu sei, sobrou alguma coisa em mim
se não, foi outro que isso aqui compôs

melancolia, entorpeceu-me em vão
sem melodia, ou ilusão, ou cor
unicamente me tomou a ação

mas, ao contrário do que vão supor
eu resisti, sobrevivi, vou são
mesmo sem ter em mim o seu calor.

sou ruim, mas é de coração.

novembro 10, 2010

novembro 4, 2010

desejo que jamais tenham acesso
à causa mortis posta no atestado
espero que vocês culpem o excesso
concluam sua certeza sem um dado

talvez vocês acertem, já nem peço
que tentem entender a este lado
daquilo que é além do seu ‘sucesso’
que almejam, mas duvido ser alçado

as suas ambições não me interessam
nem bens materiais, nem ideais
as coisas pelas quais vocês se estressam

vocês que busquem mais só pelo mais
(a nova fé que todos já confessam)
enquanto busco, errôneo, a minha paz.