Archive for outubro \29\UTC 2010

“J’ai perdu moi-même et toi”

outubro 29, 2010

o duro de mudar algo em você
reside em se saber qual o limite
daquilo que mudou e o que persiste
daquilo descartado e o que se crê

querendo ou sem querer você revê
as coisas que o acaso lhe permite
as coisas que ele quer que você liste
e o faz e espera ter a uma mercê

em contas que executa sobre a vida
um fim provavelmente não verá
pois ela em si se encerra, em si é retida

você, se intoxicando e achando-a má
ainda assim não escapa de sua lida
que acaba só depois d’ última pá.

sem título

outubro 26, 2010

aquele que se gaba em demasia
de suas posições, gosto ou ‘estilo’
tem sempre certa coisa algo vazia
um nada e a insistência em reparti-lo

assumo, vai, também eu o fazia
travava discussões sobre isso-e-aquilo
agora, se eu o faço amargo azia
advinda da maldade que destilo

acordam uns demônios já esquecidos
sadismo quase até psicopatia
libertam-me desejos reprimidos

que a muito eu já julguei que nem sentia
incitam de mi’a mente aos meus tecidos
me fazem ter saudade da apatia.

co’ajudideus…

outubro 25, 2010

Não gosto das pessoas quando falam
de como elas sofreram pra chegar
aqui ou lá, das lutas que travaram
mesquinhas e enfadonhas, se jactar

de pouco ou quase nada, do seu lar
emprego, obras. Pior quando resvalam
no orgulho vão daqueles que no bar
apenas e tão só se embriagaram.

Escuto sem ouvir, dou um sorriso
desprezo e continuo no meu mundo
talvez até responda de improviso

algum vazio dizer, em um segundo
mas bestas de primeira fazem isso:
me tomam por sincero e até profundo.

wwhooooole lotta shakin’ going on

outubro 19, 2010

“EPILEPSIA – Nesta enfermidade, encontra-se em sua forma característica a perseveração e a prolixidade.”

(in: Curso de Psicopatologia, oitava edição – Paim, Isaías. Livraria Editora Ciências Humanas Ltda. São Paulo, 1980)

Resolvi trabalhar um exemplo de narrativa típica de um epilético (pelo alegado neste manual) e saiu isso:

Eu sou criatura
graças a Deus-Pai
que não é de linhas
que não sejam retas
sempre a criatura
sempre a mais amável
sempre a educada
não sou cria errada
não serei errada
por graça de Deus.

perdidit urbes

outubro 15, 2010

meu tédio é irmanado com meu pânico
sufoco diariamente pouco a pouco
e sinto que, impotente, fico louco
prostrado frente a um ídolo tirânico

que ordena o impossível por mecânico
em cota desta malha um elo solto
um brilho bem distante em mar revolto
agrura que constrói transe epifânico

não sou destas palavras operário
nem tento me fazer maravilhoso
espero, paciente, ao meu páreo

mas… fato que eu preciso ter um gozo
que sempre foi além do numerário
cinquenta e um, catulo: um ocioso.

Farda mas não Talha.

outubro 14, 2010

busquei a liberdade toda a vez
desconhecendo, ao certo, quem seria
havia em mim apenas uns ‘porquês’
julgava a cousa toda como séria

e sempre, sempre e sempre me feria
empresa construída em altivez
pagando, sem pensar em sua féria
apenas me deixando alguns ‘talvez’

quiçá n’algum momento eu me fiz livre
o lembro de senti-la, aqui, tão física
mas poucas atenções dela eu obtive

instante e nada mais e foi-se, tímida
(espero que ninguém disso me prive)
deixou pra mim apenas minha lírica.

outubro 6, 2010

Soneto (op. 020) – para Allan Sieber ( http://talktohimselfshow.zip.net/ )
Por danielkamykovas
seu nome é tão difícil quão seu gênio
de traço inconfundível, desenho único
gaúcho sem deslumbre vão, bairrístico
que lá no rio nascer viu do milênio

por vezes matador como é o arsênio
humor inovador com ares cínicos
correto é que não é, sem modos cívicos
chorou só uma vez: lacrimogênio

bebum, bugre, bastardo, é um bagual
da lata, dobradinha é que some
bem dura é a existência, passa-fome

não vou dar de cabaço ou paga-pau
mas é homem de brio e de renome
é só ver as mulheres que ele come.

(isso não é um blogue de ‘opinião’, logo, não tenho por hábito postar nada aqui que não seja um soneto, ou o caralho que o valha, entretanto gostaria de registrar que eu enviei essa porra ao homenageado, ao que ele assumiu correr uma lágrima furtiva em seu olho de vidro ao ler o último verso. pouco depois houve a publicação no seu blogue desse cartum: http://talktohimselfshow.zip.net/images/genio0001.jpg , eu sei que não foi pra mim, mas gosto de pensar que tenha sido. já dizia o pelé que de sonho também se vive. e já dizia o romário que o pelé calado é um poeta.)

俳句 no largo da concórdia:

outubro 1, 2010

cigana lê a sorte
à grávida, esperando ávida:
“certeza? só a morte.”