Archive for março \29\UTC 2010

dorgas

março 29, 2010

perdi m’ia virgindade com benzina
roubei de minha mãe anfetaminas
e o álcool da cerveja (era alemã?)
e o álcool da cachaça das mais chãs

o meu maior amor foi nicotina
mas eu fui me casar com cocaína
trair a todas elas, lexotan
e a nova das paixões, diazepan

pra sádica heroína eu bati bronha
pequeno affair eu tive lá com ácido
também eu tive um ‘algo’ com a maconha

se lembro disso tudo agora plácido
o faço com lembranças bem tristonhas
será que eu me tornei só mais um flácido?

março 29, 2010

deu tudo, tudo errado, e me arrependo
do que eu não evitei (sei evitar?)
daqueles exageros tão tremendos
daquilo nunca dito a ressoar

respiro, está difícil, falta o ar
eu creio, mas nem sei porque vou crendo
meu lar tornou a ser o velho bar
pior: eu já nem sei se tenho um medo

eu tenho dois tercetos pra dizer
a bela solução deste soneto
não sei, eu já nem sei o que vai ser

mas algo pra vocês aqui prometo
o digo aqui esperando o alvorecer
terei bem mais cuidado em meus duetos.

tributo que eu devia, pago envergonhado.

março 23, 2010

Em meu jardim florescem (sem ser flores)
demônios das mais belas doces formas
vermelho e preto e prata, entre outras cores
os súcubos com suas peles mornas

lugar onde cultivo meus horrores
e os amo com esmero que transtorna
meu ódio enfurecido faz louvores
em taça mais imunda e que transborda

vocês, que acham que tudo isso é tão reles
cristãos, racionalistas ou ateus
talvez um dia sentirão na pele

vocês que não me importam! e nem os seus!
o certo é que no fim eu sou tão deles
quanto eles, em meus sonhos, são tão meus.

NÃO É TRADUÇÃO, CARALHO!

março 17, 2010

Arte Primeira

perder as coisas nem é tão difícil
as coisas inerentemente têm
a perda em si, isso não é grande vício.

perder algo diário, algo propício
as chaves ou a hora pelo trem
perder as coisas nem é tão difícil

com prática, feroz, rápido, um míssil
lugares e os nomes e viagem
não valem a sua queda do edifício

perdi a um bom relógio (malefício?)
três casas, delas quais me lembro bem
perder as coisas nem é tão difícil

perdi duas cidades e um solstício
os rios e meu império e vivo sem
me faltam, tudo bem: um novo início…

até perder você, com tudo aquilo
amado, talvez seja nada além
perder as coisas nem é tão difícil
embora de um desastre seja indício.

não, não virei abolicionista penal, não. nem comuna.

março 16, 2010

Na Penitenciária de Sant’Ana
estava lá, esperando uma detenta
que por estelionato foi em cana
nem sei de muita coisa dessa encrenca

devia eu entregar-lhe alguma grana
pra moça ter um pouso e um alimento
a minha espera foi bem longa, insana
pois EU me senti preso por um tempo

a minha espera, por pior que fosse
não era nem um pouco parecida
co’as delas, das internas. Era um doce

enquanto eu esperei pela saída
pensei na condição (e foi um coice)
daquela que foi presa e jaz em vida.

março 11, 2010

comer um cu requer ter muito jeito
buceta (que é mais fácil e natural)
também requer ser bom, fazer direito
mas cu é quem ensina o pau ser pau

comer atrás, na bunda, é algo perfeito
o sabe bem quem curte um bom anal
e sabe, garotinha, sou sujeito
que nunca lhe faria qualquer mal

portanto vá, confie, vá e deixe
e morda minha mão se sentir dor
aguente e seja forte e não se queixe

que vou gozar bem fundo e com ardor
depois, com quem quiser que você deite
você se lembrará do meu calor.

março 8, 2010

Eu faço meus sonetos para a XXXXX
e todos, digo sim, todos, são dela.
Sem ela, eu perderia minha métrica
que prezo, apesar de não ser bela.

Amargo fico aqui ao sul da América,
enquanto eu sei que lá, aos mouros, vela.
Mas não farei igual a bicha histérica,
chorar não me cai bem, nem me revela.

Invejo ao seu ouvido, é absoluto,
admiro (com respeito) ao seu dote;
discípulo, sou servo resoluto.

Eu só queria ter verso mais forte,
e ser talvez um cara mais arguto,
mas sendo seu, eu tenho toda a sorte.