Archive for janeiro \26\UTC 2010

14 pra 13, 10 pra 13.

janeiro 26, 2010

Sim, eu perco aqui meu tempo escrevendo esta merda
e fugindo de encarar aos fatos todos. Poucos
dias são, pois, diferentes na rotina besta,
traiçoeira, de se ser um animal medroso,
preso, só, vazio e sujo ao se ver no espelho
e entretanto nada disso ser. Uma ilusão
provocada por se ter noção errônea, cínica
do meu ser, talvez por ter achado ser melhor
divergir de todo mundo, por querer pensar,
ser maior, ganhar estrelas, galas e paixões
eu fui vão, eu fui um cão, eu fui criança má
fui estúpido, nem sei o que eu farei daqui
em diante, tanto faz. Só não repetirei.

aniversário de uma amiga, um gênio.

janeiro 26, 2010

não sei o que eu desejo pra você
amiga tão querida, aí no sul
eu quero simplesmente que se dêem
mais fotos de você com luva azul

criando a melhor arte que se vê
ainda que eu nas artes seja cru
e louco, como se no ele-esse-dê
chapasse por aí para ser ‘cool’

enfim, voltando ao ponto mais central
espero pra você felicidade
daquela da mais foda, ampla e geral

também não se preocupe com a idade
não envelhecerá, você, pois, mal
abraço de quem tem muita saudade.

janeiro 18, 2010

não ‘recaio’, renego vossa seita
tão impávida, nobre e salvadora
descobri ser além desta receita
falarei sem temor algum: que morra!

eu tremi, certa vez, tal qual maleita
entretanto, eu não vou crer nessa porra
enganosa, ilusão muito bem feita
e vestida com manto auxiliadora

que se fodam, não sou mais bom menino
responsável, bonzinho e muito digno
eu serei mais feliz como um suíno

pelo menos serei mais fidedigno
eu me fodo se assim eu me arruíno
fui benigno pior do que maligno.

janeiro 14, 2010

insisto em fazer música, sei lá
porque. sou um vaidoso, sou cretino
eu tenho ouvido estranho… tenho um lá
menor, no mi bemol eu desafino

algumas das canções nem ficam más
mas certo é que nenhuma vai ser hino
ou trilha de novela, porra, eu já
devia ter largado ao desatino

queria ser melhor, cabeça boa
com senso e com razão, ser um dos retos
a pena é que é essa vida é que me enjoa

eu quebro ao meu violão, eu lhes prometo
mas nunca digam que isso foi à toa
serviu, pois, preu fazer este soneto.

foram fiéis:

janeiro 12, 2010

asfalto. foi festim febril, fumaça
furor, fulgor, um fogo fátuo ficto
sulfúrico fedor, feito e se faça
fato finito, foi-me fato físico

faltou firme ter fé? foi a falácia?
fremente falo, a fêmea fode fixo
esforço fracaçado em face a falha
nefasta da falange do fez frígio

fetiches fáceis foram fala fria:
“são fezes, fraco é forte, são fascistas!”
fração mais fervorosa, um fim que fia

refém… refugos, fungos, UM franquista?
faliu a falação a qual fazia
final: formou seu filho um financista.

‘tudo deserto no dia-de-ano.’

janeiro 11, 2010

me sinto só, me sinto muito bem
(naquilo que é tangente à solidão)
espero, ingenuamente, por alguém?
nem sei, indiferente, olho pro chão

eu penso no que vai e no que vem
sentindo levemente minha mão
pergunto se haveria alguém também
com essas babaquices sendo vão

havendo tal pessoa tão perdida
espero poder vê-la em minha frente
não é para dizer coisas sofridas

direi como homem sério, o qual não mente
pensando a trajetória já falida:
“mermão, largue essa mão e vai ser gente!”

janeiro 7, 2010

não fiz a facvldade de direito
eu fiz um sonho o qual nem era meu
cursei à academia bem sem jeito
pois nunca foi o que me apeteceu

aquilo que está feito já está feito
e tanto faz se fel ou se foi mel
foi este o meu passado e não rejeito
ninguém a outra cousa prometeu

(será que os corvos vão querer meu fígado?)
enfim, agora eu tenho que seguir
estou mais velho, forte e bem mais cínico

e tenho mais um dom: de refletir
além de saber rir do meu ridículo
chegou o meu momento de fluir.

janeiro 2, 2010

eu choro pela força dos meus mortos
eu choro por um tempo que passou
tal qual as mães faziam pelos portos
tal qual um artilheiro pelo gol

eu choro, e se não gostam, não me importo
a dor por tudo aquilo que marcou
os dias de menino meio absorto
em um sonhar maluco misturou

acabou, como tudo tem seu fim
não sei o que nos resta no final
depende do escolhido, ‘não’ ou ‘sim

então, ganhei… eu vi a um bom sinal
que disse para mim: ‘vá, faça assim
e seja seu Senhor, não fará mal.’