Soneto (op.65) –

não sou de muitas cores, mas as tenho
e quase não as vejo, mas me empenho
porque usar palavras é pintar
com verbos, substantivos, rabiscar

nas cores vivas, fortes, meu engenho
contrastes, contrapontos, outro meio
as luzes que nos podem bem cegar
o verde, fluorescente, nunca mar

azul que me provoque dor de dente
o roxo do cabelo de uma idosa
o brega do amarelo incandescente

marrom eu usaria só em prosa
ou preto ou branco, cinza é acidente
vermelho, talvez branco, nunca rosa.

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Uma resposta to “Soneto (op.65) –”

  1. juliana Says:

    dan, esse é um dos poemas mais imagéticos e belos que eu já li. sei que isso não é grande coisa, mas ele, realmente, me impressionou… principalmente a parte “porque usar palavras é pintar
    com verbos, substantivos, rabiscar”…
    realmente, o marrom é só em prosa.
    tenho vontade de comentar quase todos os poemas, porque, sempre, eles têm, pelo menos, um verso que me toca de alguma forma. acho que é isso que faz um bom poema, a habilidade de tocar outrem, quando só se queria tocar a si mesmo.

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