Archive for abril \29\UTC 2009

Soneto (op. 69)

abril 29, 2009

não quero ter carnê pra ser feliz
não quero outra caixa de bolinhas
não quero na cachaça ter mais bis
eu quero arranjar outras folias

não quero uma filhinha (beatriz?)
pra pô-la no balé de sapatilhas
e no futuro ser ‘modelo e atriz’
sem ser capaz de ler a poesias

não sei exatamente o meu desejo
mas peno em manter vontade fria
e o som que eu não esqueço, um realejo

eu sou um idiota, mas não ria,
jamais eu perderia a este ensejo:
eu quero ter a prova da alegria.

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Soneto (op. 68)

abril 29, 2009

o nome que me deste foi a morte
aceito, qual cordeiro, meu destino
por tânato, escuto agora ao sino
ao sino que me prende e faz consorte

história que jamais se fez reporte
em nada mais eu posso por arrimo
portanto nestes versos eu afirmo
agora é só a ti que faço a corte

se não me dás nem sombra do teu rosto
à minha mão humilde que se espalma
(odeio ver-me lírico e exposto)

espero ao teu amor coberto em calma
do beijo que não tive, espero o gosto
mulher sem coração… tomou minh’alma.

Soneto (op.67) –

abril 23, 2009

[homenagem pra a pati do ‘eu dou para idiotas’: http://eudoupraidiotas.blogspot.com ]

a porra da buceta, se for sua
você vai dar pra quem você quiser
qualquer um, imbecil, do bar, da rua
problema que é só seu, cara mulher

ao ler aqui verdade da mais crua
não sei se curto o modo que se quer
talvez por eu querer você cá, nua
você e tudo o que você puser

eu sei que eu não nasci pra ser o rei
eu sei que a minha chance é bem remota
eu sei antes do fim que já errei

eu dou aqui por finda a minha cota
mas antes, com certeza assumirei:
meu sonho era ser só mais idiota.

Soneto (op.66) –

abril 23, 2009

maconha eu sempre tive por remédio
mas eu também usei muito por tédio
o fato é que foi esta a minha escola
as várias noites só, cheirando cola

estou bastante longe do homem médio
mas sofro da moral algum assédio
vocês não tão ligados no que rola
dispenso de vocês qualquer esmola

resolvo muito bem aos meus problemas
mas só se não tiver bisbilhoteiro
fazendo eu me perder em meus sistemas

já fui melhor cliente do puteiro
mas hoje eu tenho em mim novos emblemas
que vão tornar-me humano por inteiro.

Soneto (op.65) –

abril 23, 2009

não sou de muitas cores, mas as tenho
e quase não as vejo, mas me empenho
porque usar palavras é pintar
com verbos, substantivos, rabiscar

nas cores vivas, fortes, meu engenho
contrastes, contrapontos, outro meio
as luzes que nos podem bem cegar
o verde, fluorescente, nunca mar

azul que me provoque dor de dente
o roxo do cabelo de uma idosa
o brega do amarelo incandescente

marrom eu usaria só em prosa
ou preto ou branco, cinza é acidente
vermelho, talvez branco, nunca rosa.

Soneto (op.64) –

abril 23, 2009

armado, couraçado, couro e aço
carbono. prateado e enegrecido
na bússula me encontro, se perdido
ser destro e bem dotado no que eu faço

coturnos vão batendo, duro passo
ração para energia, muito amido
batatas que não cabem ao vencido
soldado e talvez também palhaço

escondo meu olhar atrás de vidro
no sol, de vidro preto, mas se não
meus óculos comuns, até na hidro

não peço pra ninguém compreenção
não gosto do seu pranto compungido
eu sou autor da minha danação