Archive for fevereiro \20\UTC 2009

Soneto (op.53) –

fevereiro 20, 2009

oh, flor do céu! oh, flor cândida e pura!
masturbo-me pensando ti, candura
refresca-me, minh’alma com teu sexo
corrente de energia fere o plexo

cabaço, um belo dia a pica fura
de noite, polução e rola dura
eu sou um merda, só, sou só complexo
e vou sim, certamente, perder nexo

verá, em breve, pois, o meu retono
no gozo vai gritar com voz de gralha
teremos, pois então, filho no forno

e filho no futuro, má mortalha
viver meu fim tão triste como um corno…
ganha-se a vida, perde-se a batalha.

Soneto (op.52) –

fevereiro 20, 2009

estudo d’arte faz-nos estudantes
o artista só se faz ao exercer
história, estudar-se, não faz ser
histórico. mas sim, são importantes

estudos. conhecer deve vir antes
e sempre deve ser maior prazer
mas é vazio se não vier fazer
e não devemos ser mais uns pedantes

talento enferrujando é malefício
viver sem produzir é danação
você se põe perante o precipício

aí vai disparar seu coração
eu sei, eu já passei, vai ser difícil
terá, você verá, a redenção.

Soneto (op.51) –

fevereiro 20, 2009

boceta seca, fria, já sem mel
a boca que não beija gospe fel
azeda em amarguras só faz mal
a falta que lhe faz não ter um pau

não ter com quem meter a faz cruel
mas quem seria herói pra tal papel?
além de ser tão má é tão sem sal
fodê-la então seria comer cal

prefiro muito mais a vagabunda
do que essas que são tão retas e certas
a vaca que lhe chamam por imunda

nos dá com todo amor pernas abertas
você tem que tentar abrir a bunda
você tem que buscar ter novas metas

Estrambote (op. 050) –

fevereiro 20, 2009

Dulcíssima senhora do Toboso
Unívoca, galharda, estimadíssima
Loucura deste bardo opobrioso
Começa a avizinhar-se aqui por cima

Iludo-me que luto com colosso
Naquilo que seria minha lástima
Eu sou parco em grandeza, sou faltoso
Alijo-me, pois sim, de minha esgrima

Daqui desta tristeza em que me encontro
Eu canto com mau plectro a formosura
Lanterna a iluminar com grã candura

Tiraste-me, senhora, do meu antro
Obséquio que obtive na doçura
Belíssima senhora, que paúra!

Olvido de mim próprio, perdi centro:
Somente sou um rústico falsário
Obtendo algum ganhar da mão de otário.

Soneto (op. 049) –

fevereiro 12, 2009

tem tempo, muito tempo, todo o tempo
que estou liberto, bem liberto e só
e foi-se, acabou todo o tormento
de ser só mais um grão sofrendo à mó

moído pelo achar nada isento
família ou amizades que são pó
prefiro muito mais sentir meu vento
eu fiz como alexandre fez ao nó

mas ele, grandioso, roubou sol
daquele que foi cínico maior
e não cabe aqui rima roquenról

diógenes, meu mestre, professor
procuro, com lanterna também vou
discípulo buscando alguém melhor

Soneto (op. 048) –

fevereiro 12, 2009

amarras que libertam a nós dois
estando presa, vai você mais livre
eu prendo pra soltar você depois
gozando em nossa tara: olhar que vidre

demônios que pegamos pelo chifre
do jeito que cowboy faz com os bois
fazendo então escravos, ação biltre
mas é razão de ser, veremos pois

em nossa perversão somos felizes
mandar, obedecer, nosso negócio
nos somos os cachorros e perdizes

vocês são mui tacanhas, vivem ócio
e nós do nosso jeito, pois, felizes
e mais que seu bom macho sou seu sócio

Soneto (op. 047) –

fevereiro 12, 2009

acredito pois que tudo, o total
de merda que fizeram pelo bem
besteira oriental, ocidental
aproveitamos algo sim, também

superação que vem incidental
de longe é que pegamos se convém
agora, se nós temos radical
daqueles que só dizem sim, amém

complica, pois acaba viciando
um bom julgar bem frio sobre a matéria
desperto, verdadeiro, sem desmando

filosofia, ou sei eu lá, miséria
tem coisa bem pior que ser calango
tristeza é ser motivo de pilhéria

Soneto (op. 046) – Isso não é pegar pesado.

fevereiro 12, 2009

que tal tentar reler o cabeçalho?
viver com comunistas te fez mal
eu digo e afirmo a ti, fez pra caralho
que vês só o que convém a este ideal

faXista, eu sou maXista, eu sou o tal
‘reaça’ sou a ti, maldade espalho
do povo um inimigo sou, mortal…
joguei muito com este teu baralho

te prende à pequenez de todos eles
aceita ingenuidade e hipocrisia
te joga na masmorra do que é reles

um dia acordarás desta magia
verás que não menti, não és deles
aí acabará esta agonia

Soneto (op. 045) – Isso é pegar pesado.

fevereiro 12, 2009

boçal, cuzão, playboy metido a hippie
se diz comunistão, o manifesto
foi tudo o que leu. vai morrer de gripe
sem canja da vovó. querendo, empresto

mentiras e sofismas, será vip
que sei que a gala afasta bem do resto
à parte vai comer seu acepipe
talvez se masturbar pensando incesto

sem luz em seu olhar pobre e tão miope
vergonha para a raça que escreve
bastardo rejeitado de calíope

você dentre os melhores nunca esteve
o rato não se torna nunca antílope
melhor você curtir a festa rave.

Soneto (op. 044) –

fevereiro 6, 2009

gozar na boca duma bela fada
em útero dum anjo ejacular
morrendo, não sentir então mais nada
no túmulo que fiz então meu lar

nascer de novo com a minha amada
acordo com uma mão a me afagar
e sigo novamente a minha estrada
eu sei, eu tenho agora o meu lugar

lençol molhado, luzes apagadas
segredos em silêncio são trocados
e lado a lado são nossas pegadas

estamos nós acima dos pecados
perdemos o direito às erratas
que rolem, pois então, os nossos dados.