Archive for janeiro \30\UTC 2009

Soneto (op. 041) –

janeiro 30, 2009

eu só quero um cigarro antes de morrer, sim
e um último copinho seria legal
amenizaria hora fatal para mim
e facilmente assim seria o meu final

quem sabe ter a última porção: aipim
não quero choradeira, me faz muito mal
assim como o cavalo só quer ter capim
eu quero a morte mais comum e mais banal

querer não é poder, não vou determinar
mas posso aqui sonhar e ter as conjeturas
momento que eu não mais sorverei ao nosso ar

eu quero ter um tempo, talvez duas horas
e só, que eu não preciso de muito ao findar
cachaça, nicotina e final das agruras!

Soneto (op. 040) –

janeiro 30, 2009

fizeste-me sofrer e só ter dor
e foste para mim cruento algoz
em ti estava o centro, nunca em nós
eu fui passivo a todo teu impor

‘amor’ não rimarei, é sem sabor
senti e assumirei, mas não dou voz
aos ranços do romântico e seus pós
vetustos, são caminhos pro rancor

confesso aqui em verso ainda és tu
q’ a pica faz fremer como o diabo
das vestes vis do orgulho estou pois nu

assumo, então, em bronhas eu me acabo
que bato umas punhetas pro teu cu
que mágoa, pois não tive eu teu bom rabo

Soneto (op. 039) –

janeiro 30, 2009

sapata é canguru porque já nasce
peluda e com pochete na barriga
falácia cabe lá pra cada face
que dança em minueto, em chã intriga

modelo é anoréxica, é alface
jamais picanha gorda, pois periga
perder a tudo, sim, é bem sem classe
ser gorda nesse mundo d’uma figa

por fora tudo corre muito bem
por dentro já ninguém pode dizer
a luz no fim do túnel era trem

sem dor, já não se tem algum prazer
sem vida vive o ser que tudo tem
mas só tem res, pois ‘ser’ sucumbe ao ‘ter’

Canção (op. 038) – ubicumque sit res pro domino suo clamat

janeiro 30, 2009

(I-V7-I-V7-IIm-IV-V7-I) (I-V7-I-V7)

estou tristemente só
e com minha boca seca
respirando todo o pó
como peregrino a Meca

um amor decerto
um amor deserto

da mesma forma também
deste sol (brilha inclemente)
na memória chega alguém
a própria lua crescente

um amor decerto
um amor deserto

com seus olhos de esmeralda
e a pureza de um carneiro
a ser por mim esperada
com resignação e esmero

um amor decerto
um amor deserto

eu também sou peregrino
e o corcel que me conduz
é o amor em meu destino
que me leva para a luz

um amor decerto
um amor deserto

(ps. em breve disponível para audição. esta canção se encontra a venda, interessados entrar em contato. menos você, armandinho, menos você.)

Soneto (op. 037) –

janeiro 30, 2009

eu quero apenas núcleo essencial,
o básico central, se acordes tríades
e nada mais, pois jazem afinal
adornos, irrompendo nas miríades

se perde no acessório o principal
aprenda na lição para Alcebíades
aquilo que distrai, nos trai, fatal
está posto nos códigos, Melquíades

estou compondo sim, aqui, em cifras
secretos ou herméticos gemidos
que bastam aos chamados aos três infra:

farei assim pois são aos escolhidos
os versos são difíceis nessa safra
difíceis pra não ter desentendidos.

Soneto (op. 036) – Isso não é uma tese, é só um poema e uma generalização que não corresponde exatamente à opinião do autor.

janeiro 22, 2009

mulheres tendem sempre ao moralismo
até putas eu vi caírem nisso
adoram cair sempre nesse abismo
amargas em racalques perdem viço

aos homens vão e castram (altruísmo?)
e fazem bem, com todo seu cinismo
eunucos providentes, são só isso
marido, filho, amante: meu aviso

rival, então, meu deus, sem piedade
alguma, creiam pois, nada sequer
vulcão, erupção: mais pura maldade

mulher, para se ser, muito requer
porque (direi aqui realidade)
é muito solitário ser mulher.

Soneto (op. 035) –

janeiro 22, 2009

até gosto de ser tão verdadeiro
mas minto bem melhor, disso me orgulho
aqui, meu truta velho, eu sou inteiro
no caos mental eu vou e me mergulho

acerto palavrinhas num puteiro
com fé, com bom afeto eu as embrulho
regalo bem vulgar, mas derradeiro
de quem se salvará nesse bagulho

à sina não há fuga, ou melhor dito
assinam deuses, homens vão e cumprem
vacinam os mortais de serem mito

mas temos heroísmos que nos suprem
cumprir prescrito, eu cito pois o rito
viver também é arte de ir além.

Soneto (op. 034)

janeiro 13, 2009

poeta tem a lira ou alaúde
defunto tem caixão ou ataúde
eu não, eu tenho um amor que é animal
a merda do meu mau gosto musical

ouvir o pior rock, algum metal
curtir um imbecil tocando mal
e tudo em nome vão, chama ‘atitude’
bobagem que é vazia mas se alude

mas foda-se, eu nunca quis ser são
já faço poesia, aí se mede
a minha estupidez e erudição

vá lá e fale mal: meu gosto fede
não amo muito a música, se não
eu não seria fã de motorhead.

Soneto (op. 033)

janeiro 13, 2009

não há maior prazer, nada é melhor
do que satisfazer a um bom vício
viver a dependência, sei de cor
os cânticos que canto desde o início

entrei nessa jornada inda menor
nasci talvez com mal sinal, indício
de ser, desde bebê, verme pior
com sina de fazer só malefício

então, melhor não ir no meu caminho
pois só terei desgosto pra te dar
e não, eu não farei como Agostinho

igreja não me vai, eu sou do bar
orgia e putaria, eu sou do vinho
aviso desde já pra não me amar.

Soneto (op. 032)

janeiro 13, 2009

uísque, cocaína e uns cigarros
você só me fez mal, só fez suplícios
você me torturou, roubou meus vícios
as carnes só vermelhas, vinho em jarros

nós tínhamos mentiras e comícios
pois tínhamos lugares vitalícios
em nossos corações que eram bizarros
rupturas que não podem ter reparos

a merda que fizemos nos amando
loucura, maluquice seu desmando
por graça do senhor tudo acabou

será que ainda faço bem meu show?
será que eu vou reto onde parou?
só sei que sim, irei manter-me andando.