Archive for dezembro \16\UTC 2008

Soneto (op. 028)

dezembro 16, 2008

você me deu o seu melhor, mas não
não era o que eu queria ou precisava
não era o que pedia a ocasião
mas era o seu melhor, então me dava.

você não imagina a gratidão
que guardo dos bons tempos que me amava
mas hoje tenho que era só ilusão
grilhão, nó, fechadura, dura trava

prisão. de boa fé se calça o inferno
pior só que açoitar é afagar terno
pois é sentenciar à dependência

perdido o paraíso, amor materno
se faz o pior fel, vazio interno
lamento ter tão tarde esta ciência!

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Soneto (op. 027) – Poética II

dezembro 16, 2008

eu não respeito ao fraco por opção
àquele que se faz de delicado
àquele que mantém sem calo a mão
a gente de suave vida e fado

que falam por demais do coração
que só me metem nojo e grosso enfado
que fazem versos fáceis de emoção
vazios como o chorar embriagado

ao gordo como o porco já capado
não sabe usar machado nem marreta
ao ser que não tem cara, só faceta

escutem por favor o meu recado:
não gosto da canalha da caneta
poetas secundários de sarjeta.

Soneto (op. 026) – Poética

dezembro 16, 2008

tomei lição de não desafiar
os deuses da grã métrica, senhor.
nos dedos vou contar, mesmo no bar
autista eu serei, sim (puta, q’ horror).

pretenderei jamais desafinar
serei tão diligente quão castor
com técnica voraz de represar
um fluxo d’água… fluxo de escritor.

então? satisfação todos teremos?
deixar-me-á assim em paz, puto, viado?
por que você não vai caçar uns emos?

claro é, ninguém se vê bem criticado
mas crítica formal, bom, aceitemos…
de qualquer jeito, tenha-me obrigado.

Soneto (op. 025) – R.A.P.A.M. (Rhythm And Poetry And Metrics)

dezembro 16, 2008

a treta no parnaso é bagúi loko
soneto que dá tiro, é só pipoko
os deka dominaro as função tudo
até tiozin no bar jogano um ludo

os mano do alex vem chegano aos poko
ligero foru lá, desceno o toko
kagaço foi do mal, fikaro mudo
madame eu num sou teu cachorro poodle

os mano do alex, vê, só dão di doze
mas deka é bomba forti, vou falá
aqui só na verídika, sem pose

se liga sangui bão, pra respeitá
pegada do parnaso, loko in klose
tinha mais pra falá!
.
.
.
.
.
mas ponto em boka.

Soneto (op. 024)

dezembro 16, 2008

eu gosto do meu metro, na real
de boa eu tô jeito de vocês
entendam, por favor, não é por mal
‘primado da emoção’ não tem porquê

cansei do seu sentir, da ‘dor fatal’
prolífico só na arte e não real
cansei de ver chilique, podem crer
não só na forma quanto no dizer

cacete, larguem mão desse caralho
vocês se acham reis do mundo em arte
que porra! o leitor não é otário

vocês são só petizes de fraldário
e d’algo grande nunca serão parte
e nem eu, outro puta dum paspalho

Soneto (op. 023)

dezembro 16, 2008

meus versos são meus sonhos reprimidos
de tão pesados não posso sonhar
desejos nem nos sonhos exprimidos
perdidos lá no fundo, sem lugar

assumo serem sujos, são os idos
dum cérebro doente. me falta ar
em cada rima, sílaba. punidos
serão todos viventes ao voltar

de deus. por que caralho, pois, então
eu pago meus pecados com sinal
vivendo numa merda sem fruição?

talvez meu desejar seja fatal
condena a viver sempre em frustração
também a sonetar, nefasto mal.

Soneto (op. 022)

dezembro 16, 2008

você quer mais, sentir tudo o que é raro
chegado, tenha certo que eu sou par
entendo da vontade de chapar
na pele, quer sentir o tal disparo

delírio, pra mim, é o que há mais caro
poder perder a mente, ver zarpar
e odeio demais quem curte capar
aviso irei eu dar, bote reparo:

teria experiência, então, você?
será que o considero desse ramo?
se pelo menos der pra ser placé…

se não, melhor largar esse seu plano
não é assim ‘tomar LSD’
que vaya ser muy cruento el desengaño…

Soneto (op. 021)- para André Dahmer ( http://www.malvados.com.br/ )

dezembro 12, 2008

andré, desculpa a má forma que venho
tentar tratar contigo pelo velho
soneto, mas sou um tipo meio antigo
esse é o ofício, pois, que eu ponho empenho

malvados, foi que fez franzir o cenho
e ver sagacidade ser artigo
corrente novamente. Que perigo
seria o perder de tão grande engenho

tiradas, tuas tiras me tiraram
do tédio, um assassino. me pintaram
em vários tons de cinza, alegria

eu pude ter lá, quando me mostraram
aqueles traços toscos que pensavam.
licença, vou voltar pra putaria.

Soneto (op. 020) – para Allan Sieber ( http://talktohimselfshow.zip.net/ )

dezembro 12, 2008

seu nome é tão difícil quão seu gênio
de traço inconfundível, desenho único
gaúcho sem deslumbre vão, bairrístico
que lá no rio nascer viu do milênio

por vezes matador como é o arsênio
humor inovador com ares cínicos
correto é que não é, sem modos cívicos
chorou só uma vez: lacrimogênio

bebum, bugre, bastardo, é um bagual
da lata, dobradinha é que some
bem dura é a existência, passa-fome

não vou dar de cabaço ou paga-pau
mas é homem de brio e de renome
é só ver as mulheres que ele come.

(isso não é um blogue de ‘opinião’, logo, não tenho por hábito postar nada aqui que não seja um soneto, ou o caralho que o valha, entretanto gostaria de registrar que eu enviei essa porra ao homenageado, ao que ele assumiu correr uma lágrima furtiva em seu olho de vidro ao ler o último verso. pouco depois houve a publicação no seu blogue desse cartum: http://talktohimselfshow.zip.net/images/genio0001.jpg , eu sei que não foi pra mim, mas gosto de pensar que tenha sido. já dizia o pelé que de sonho também se vive. e já dizia o romário que o pelé calado é um poeta.)

convidado especial: ricardo teixeira

dezembro 12, 2008
Das que pensam com a racha foi Helena,

que por tara tornou Tróia sitiada

Lucrécia que era dita recatada:

“uma foda por um reino!” foi seu lema.

Não há saia pela qual não valha a pena

sacar faca, punhal e até espada,

e ainda com a mão ensangüentada

tomar loira, ruiva, preta ou morena

São lascivas e fazem muito bem o mal,

lançando os seus palhaços em túmulos

do gênesis até o juízo final

Empunhemos então os gládios rútilos

e combatamos qual uns energúmenos

almejando o cheirinho do bacalhau