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Soneto (op. 011) – a porra da minha vida

novembro 28, 2008

eu já toquei baixo com banda punk
também fui comuna, como odiei yankee
era do ‘madame’ e caçava gótica
vivi muito tempo sob essa ótica

o tempo passou de forma despótica
estudei até, li sobre a semiótica
houve meu momento de bancar junkie
mas não há sangria que nunca estanque

na arte de ulpiano penei mais de um ano
bebi até ter o anel de rubi
um tempo maldito, escroto e soturno

dele foi guardado apenas coturno
que vai ser lambido muito gostoso
por aquela puta, o glauco mattoso.

Soneto (op.010)

novembro 28, 2008

‘é que nem a mãe, guspida e escarrada’
a minha avisou, ela está errada
certo seria: ‘esculpida em carrara’
estranho prenúncio de minha tara

a imaginei nua em couro amarrada
sua carne sobrando em nada mirrada
é musa maldita mas é bem cara
mesmo no desprezo, virando a cara

estudei com fé, Madonna à Cabala
seu andar vulgar, trotar de cavala
pretensão de quem se acredita rara

profunda crê ser, tal qual a fosseta
é pena ser só mais uma boceta
embora das boas pra socar a vara

(opus 007, sobre uma musa difícil)

novembro 28, 2008

classifiquei certa vez como frio
seu olhar belo entretanto sombrio
eu não creio que tenha apreciado
ela me deu uma expressão de enfado

possuidora de bastante brio
e nem todo ser a isso sorriu
apenas seu velho amigo viado
e também este poeta tapado

sua maldade vaza como um rio
com sentimentos fez muita piada
o portal de muita dor ela abriu

mas se por você ela é odiada
sua fraca criatura pueril
por mim sempre, sempre, será amada

(opus 005)

novembro 28, 2008

existem coisas mui belas no mundo
e a preferida é aquele segundo
sentir bem rija toda minha carne
deixando-me próximo ao desencarne

ejacular em um colo profundo
é muito, demasiado, fecundo
e a minha perversão mui mais concerne
pela boca ter acesso ao seu cerne

isso de asco é uma triste masmorra
não acredite em sodoma e gomorra
nem nas estátuas de sal por ali

antes que pela garganta escorra
digo, pois: quem ama engole, porra
(teria mesmo essa vírgula aí?)

(opus 004)

novembro 28, 2008

creio ser ele o melhor coração
uma cornucópia de amor cristão
é capaz de amolecer totalmente
mesmo eu, o mais gélido e frio descrente

mas uma coisa o transforma em pagão,
romano da decadência, vilão
o grande tesão que o faz impotente
(ou potente…) perante a fêmea ardente

este poeta é bastante ladino
mas seu conselho não é nada fino
(fato claro, notório e bem sabido):

é de fazer as pazes com a libido
aceitar humildemente o destino
ser sem orgulho um velho libertino.

(opus 003)

novembro 21, 2008

caso minha mãe tivesse bigode
eu com certeza teria dois pais
mas mamãe era do tipo que fode
alegremente na beira do cais

depois dos estivadores se pode
ser violada por mil animais
e esta merda aqui não é uma ode
mas é certo que entrará nos anais

o conhecer da plebe nos ensina
filho de puta não se chama júnior
bater punheta dá pêlos na mão

mulher pequena se fode por cima
velho gordo no futebol é sênior
e que cabeça sem norte faz rima